terça-feira, 24 de maio de 2011

Cultura do Plágio? Palestra - UFSC

UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA CATARINA UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA CATARINA
PRÓ-CULTURA Capes/MinC
O GEDAI convida para a palestra “Direitos Autorais e Culturais: A Cultura do Plágio?”


Palestra:
Direitos Autorais e Culturais – CULTURA DO PLÁGIO?
Expositores
Professor Dr. ALLAN ROCHA
Professor Dr. MARCOS WACHOWICZ
Mestrando em Direito/UFSC GUILHERME COUTINHO
Mestrando em Direito/UFSC CHRISTIANO LACORTE
Data: 03 de junho de 2011
Horário: 10:00hs às 12:00hs
Local: Auditório do Departamento de Química
Informações: (048) 3721 9733
site:  www.direitoautoral.ufsc.br

sexta-feira, 20 de maio de 2011

Intimação Eletrônica - Interessante

Intimare
Bradesco é o primeiro banco privado a adotar o sistema de intimações eletrônicas

19/05/2011 - 08:22 h

 Fotos de Alessandro Cassemiro
O Banco Bradesco assinou nesta quarta-feira (18) convênio com o TRT de Mato Grosso para a adoção do Intimare, sistema que possibilita a intimação dos atos processuais por meio eletrônico, dispensados a publicação no Diário Eletrônico da Justiça do Trabalho e o deslocamento de oficiais de justiça.

O Bradesco é o primeiro banco privado a adotar o sistema, já utilizado em Mato Grosso pela Procuradoria Geral do Estado, pela Universidade de Cuiabá (Unic), OAB-MT, Caixa Econômica Federal e a Usina Barralcool. Diversas outras empresas públicas e privadas estão em tratativas com o Tribunal para também adotar a ferramenta.

Além da economia aos cofres públicos com a redução de despesas com correspondências e deslocamento de pessoal, a inovação contribuiu para a redução de custos ambientais como gasto de papel, combustível, entre outros.

Com o sistema, o Banco Bradesco receberá na agência as notificações com cópia da inicial e documentos que a acompanham de forma eletrônica, cuja notificação será replicada ao departamento jurídico do Banco, que poderá acompanhar os prazos de audiência e defesa.

Além dos ganhos acima citados, o Banco economizará por não precisar ir até a Vara do Trabalho para fazer carga dos autos. O TRT deixará de fazer carga e baixa dos autos, desobrigando o servidor de fazer tais serviços, sem contar com a segurança na notificação da audiência, evitando-se a ocorrência de revelia.

A mais recente adesão ao Intimare deu-se em reunião do desembargador Osmair Couto, presidente do TRT/MT, com o gerente do jurídico do Bradesco em Cuiabá, advogado Wellinton Luiz de Campos, e a advogada coordenadora, Flaviana Letícia Ramos Moreira.

A ferramenta, criada pela Secretaria de Tecnologia da Informação do TRT mato-grossense, já foi disponibilizada para uso dos tribunais do trabalho da Bahia (5ª Região), Campinas (15ª), Pará e Amapá (8ª) Rondônia e Acre (14ª), e Sergipe(17ª). "O Intimare é uma prévia para o Processo Judicial Eletrônico (PJe), que está em construção e que colocará fim aos processos em papel no judiciário brasileiro", explicou o desembargador-presidente Osmair Couto.

(Ademar Adams)

O que é o sistema Intimare:

O Sistema de Intimações Eletrônicas - Intimare, desenvolvido pelos técnicos em tecnologia da informação do TRT/MT, permite comunicação de atos processuais (citação, intimação e notificação) entre a Justiça do Trabalho de Mato Grosso e os chamados grande clientes, empresas privadas, entes públicos e de empresas de economia mista.

Os atos passam a ser realizados eletronicamente, dispensando-se a publicação no Diário de Justiça Eletrônico (DJE) e o cumprimento de mandados pelos oficiais de justiça.

O sistema teve por base a Lei 11.419/2006, que trata da informatização dos processos judiciais e permite aos tribunais promoverem avanços com novas práticas visando acelerar o trâmite dos processos.

O Intimare foi criado inicialmente para um convênio entre o TRT mato-grossense e a Procuradoria Geral do Estado de Mato Grosso (PGE) visando estabelecer o trâmite eletrônico das intimações aos procuradores.
Fonte: Comunicação Social
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quarta-feira, 18 de maio de 2011

Uma boa prática - que sirva de exemplo

 A juíza Eleonora Lacerda coordenou a Comissão de Estudos
Foi autorizado e regulamentado o trabalho remoto a ser realizado por servidores do Tribunal Regional do Trabalho de Mato Grosso, para um período experimental de seis meses. 

O trabalho remoto é aquele em que o servidor pode realizar suas tarefas diretamente de sua casa ou de outro local fora do ambiente de trabalho do Tribunal e tem com base nas normas internas do TCU. 

A regulamentação foi feita por uma Comissão de Estudos, instituída pela Portaria da Presidencia nº 62/2011, composta por magistrados, servidores, representantes da Amatra e do Sindijufe, sendo que a entidade sindical não enviou representante. 

Após os estudos da Comissão foram estabelecidas as regras que constam da Portaria nº 308/2001, da presidência do Tribunal, levando em consideração a qualidade de vida dos servidores e a responsabilidade sócio ambiental do TRT, com menos veículos circulando na cidade e menos liberação de monóxido de carbono, sendo que as principais são as seguintes: 

- Neste período de experiência, os gabinetes do desembargadores não participarão do novo sistema; 

- Para adotar o novo método de trabalho servidor deverá requerer ao diretor de sua unidade permissão para participar e declarar que possui ambiente virtual ergonômico e seguro para realizar as tarefas e que dispõe de sistema operacional compatível; 

- O diretor tem autonomia para aceitar ou não o pedido, considerando o interesse local; 

- Caberá ao diretor da unidade gerenciar as rotinas, a freqüência, a jornada e o tempo de trabalhos dos servidores autorizados. 

- Deverá ser criado um controle interno com anotações da carga de documentos oficias que o servidor estará autorizado a levar consigo para desenvolver o trabalho. 

Passado o prazo de experiência, o sistema será reavaliado para ser regulamentado e implantado definitivamente ou, se for o caso, extinto. 

(Ademar Adams) 

segunda-feira, 16 de maio de 2011

Lei Espanhola

CONFERIR

Especialista defende que tecnologia é essencial para democracia

Especialista defende que tecnologia é essencial para democracia

Publicação: 13/05/2011 11:37 Atualização:
“A tecnologia é essencial para o desenvolvimento de um país plural e democrático”. Isso é o que defende o pesquisador canadense David Eaves, um dos principais expoentes do Open Data, movimento que defende a transparência nos dados públicos. Para ele, as democracias modernas, em especial aquelas mais jovens, como a do Brasil, só amadurecerão quando a tecnologia se tornar uma ferramenta ativa para a divulgação e democratização das informações governamentais e de interesse público.

Pós-graduado pela Universidade de Harvard e atualmente pesquisador do Centro de Estudos da Democracia, da Queen’s University, em Vancouver, no Canadá, Eaves defende que, do ponto de vista econômico e social, toda a sociedade pode se beneficiar da divulgação das informações públicas, o que para ele nada tem a ver com o vazamento de dados como o capitaneado pelo site WikiLeaks — que vem criando saias justas para boa parte dos governos ocidentais.

Antes de embarcar para Brasília para participar do Congresso Internacional Software Livre e Governo Eletrônica (Consei), promovido pela Escola de Administração Fazendária (Esaf) para debater os grandes problemas da governança eletrônica e que termina hoje, David conversou com o Correio. Defendeu a ideia de que o ativismo digital pode “salvar” os governos democráticos do que ele chama de retorno das “políticas orientadas por ideologias distantes dos dados concretos”.

Qual a razão de, mesmo com o desenvolvimento de ferramentas tecnológicas que possibilitam uma fácil e ampla divulgação das informações públicas, ainda ser tão difícil ter acesso a elas?
Há três respostas a essa pergunta. Muitos governos não compartilham dados porque não podem. Eles não sabem quais dados têm e suas informações estão trancadas em sistemas ultrapassados, que impedem o acesso público. Há ainda aqueles que não entendem a importância da divulgação, que são incapazes de entender como a tecnologia está mudando radicalmente não apenas a economia e a sociedade, mas a natureza do governo. No entanto, além dessas duas questões, existe uma barreira definitiva para a abertura dos dados. A principal razão para a falta de transparência é uma ideologia contrária a isso. Os governos veem no Open Data uma ameaça à sua legitimidade, quando na verdade se trata de uma maneira de reafirmá-la.

Isso quer dizer que os governos não divulgam suas informações porque não estão interessados?
A maior transparência permitirá aos cidadãos analisar melhor o seu governo. Inevitavelmente, isso significa que as ineficiências, as injustiças e os outros problemas serão vistos pelos cidadãos e por organizações. Os governos abominam qualquer crítica, e um sistema que permitirá o surgimento de críticas vai experimentar alguma resistência. Há ainda uma razão mais obscura que explica por que alguns governos se opõem aos dados abertos. Acho que estamos no meio de um ressurgimento da política orientada por ideologias, e não por dados. No fim do século 19, com o surgimento das ciências físicas e sociais, as políticas passaram a ser elaboradas a partir de dados concretos. Hoje, experimentamos um movimento inverso. No Canadá, por exemplo, o governo aboliu o recenseamento completo. Sem informações sobre uma série de questões sociais importantes, é difícil criar — e, principalmente, criticar — uma série de políticas para os marginalizados.

Então, de que forma a tecnologia poderia contribuir para o amadurecimento de jovens democracias como a brasileira?
Eu acho que a coisa mais importante que a tecnologia pode fazer para as jovens democracias é manter conversas políticas focadas nos dados. O que funciona? O que não funciona? Frequentemente, nas democracias (jovens e velhas) a conversa pode deslocar-se para valores baseados em questões ideológicas e distante dos dados concretos. Minha esperança é que a abertura dos dados públicos possa permitir a uma geração de eleitores e líderes manter seus olhos sobre o que é realmente importante — como tornar o governo mais eficaz — e evitar lutas devastadoras focadas na disputa ideológica entre as velhas noções de “certo” e “errado” que estão distantes da realidade moderna.

Neste sentido, como a internet 2.0 pode colaborar para uma sociedade mais transparente?
A web é essencial para fornecer dados públicos, não só porque é um mecanismo pelo qual mais e mais pessoas têm acesso à informação, mas porque a internet é também o principal local onde os dados abertos são interpretados, transformados em ideias, serviços e visualizações mais facilmente compreensíveis pelas pessoas. A web permite que qualquer pessoa que usa dados abertos para criar um novo serviço e tenha alguma ideia brilhante, possa compartilhá-lo com o mundo. Sem a web, dados abertos seriam algo que interessa apenas a uma pequena elite, sem uma conexão profunda com a maior parte do público. Muitos especialistas defendem que os dados públicos sejam divulgados apenas para certos profissionais, como médicos, advogados e jornalistas. Vejo essa visão como bastante limitada. Em maior ou menor escala, as informações públicas interessam a toda a população.

Na prática, como isso acontece?
Não faltam casos concretos. Tomemos por exemplo o escândalo de despesas do Parlamento do Reino Unido. Foi por meio da web que as pessoas puderam analisar os gastos dos deputados e também foi por meio dela que as histórias sobre o escândalo puderam ser lidas e divulgadas. Os recursos multimídias dessa plataforma foram o que permitiu a visualização dos problemas e fez as pessoas entenderem o tamanho do escândalo. Outro caso é o da Morningstar, uma empresa de fundos de pensão. Ele usa dados abertos de segurança dos EUA e da Comissão de Valores Mobiliários para avaliar o desempenho dos fundos de investimento. Isso afeta como milhões de norte-americanos vão investir suas economias para a aposentadoria. Esse uso é totalmente inesperado e é uma forma muito interessante de utilização dos dados públicos.

E do ponto de vista econômico? A disponibilização de dados públicos também é economicamente vantajosa?
Existe uma enorme gama de grupos que podem se beneficiar desse tipo de ação. De ambientalistas, desenvolvedores de software e associações de bairro a grandes empresas. Veja o caso do Google. O Maps tem informações sobre o trânsito de centenas de cidades ao redor do mundo. Frequentemente, essas cidades compartilham suas planilhas de trânsito, num formato chamado GTSF. Com esses dados, empresas como o Google elaboram ferramentas de navegação. Centenas de milhões de pessoas agora podem planejar viagens em dezenas de idiomas. Se você vier a Vancouver, por exemplo, no site de planejamento local de trânsito não vai ser possível planejar uma viagem em português, mas usando o Google Maps você pode. Outro exemplo são as informações meteorológicas. No Canadá e nos EUA, todas essas informações são geradas por estações do governo, então o trabalho das empresas é traduzir isso para uma linguagem mais próxima do cidadão. Acredita-se que esses sistemas movam uma indústria de mais de US$ 2 bilhões.

A geração Y está chegando ao mercado de trabalho e aos cargos políticos. Esses jovens poderiam usar sua relação mais íntima com a tecnologia para dar mais transparência às informações de interesse público?
Talvez. Eu sou otimista, mas com certa cautela. Acho que estamos prestes a presenciar uma batalha entre a mudança trazida por uma geração e a cultura institucional já estabelecida. Muitos baby boomers (pessoas que nasceram nos anos imediatamente no pós 2ª Guerra), quando tornaram-se políticos ou funcionários de governos, acreditavam na transparência e em um governo aberto. Por que eles não conseguiram botar isso em prática? Porque o desejo das organizações de manter o sigilo é mais forte que o de um indivíduo em torná-la mais aberta. Então, tanto aqueles que estão do lado de dentro das organizações — os políticos e os funcionários públicos — como os de fora — os eleitores e cidadãos — têm um papel importante nesse processo. Nossa demanda por transparência é o que vai mudar o sistema, e não apenas a chegada de uma nova geração.

Os movimentos como o WikiLeaks não seriam uma forma forçada de dar mais transparência a esses governos que se recusam a divulgar dados?
Acho que uma coisa importante sobre o WikiLeaks é reconhecer que ele não tem nada a ver com transparência pública. O movimento transparência é sobre a criação sustentável, aberta e autorizada dos dados dos governos. É, além disso, um esforço para mudar o governo, aumentando a sua legitimidade, tornando-o mais transparente. Em contraste, o WikiLeaks é um método não autorizado que gera informações de maneira não sustentável. É um esforço para mudar o governo, mas tornando-o menos legítimo, por meio da divulgação de suas ações. Esse não é um julgamento moral sobre transparência pública ou Wikileaks, é um fato simples sobre as diferenças entre eles. Agora, se ela vai ser uma forma eficaz para cobrar dos governos? Ainda não é possível saber.


Encontro

Congresso Internacional Software Livre e Governo Eletrônico (Consegi 2011)
Data: 11 a 13 de maio
Local: Escola de Administração Fazendária (Esaf)
Inscrições gratuitas no local ou pelo site www.consegi.gov.br

quarta-feira, 11 de maio de 2011

Cibermundo S/A. Zizek. Estado de SP

Cibermundo S/A. Zizek. Estado de SP

CIBERMUNDO S/A

Filósofo analisa tendência de organizar o ciberespaço rumo à 'computação em nuvem', que dispensa máquinas individuais potentes

08 de maio de 2011 | 0h 27

    Slavoj Zizek - O Estado de S.Paulo
    Dizem que, na China, a maldição lançada quando realmente se detesta alguém é: "Que você viva em tempos interessantes!" Em nossa história, "tempos interessantes" são, efetivamente, as épocas de agitação, guerra e luta pelo poder em que milhões de espectadores inocentes sofrem as consequências. Nos países desenvolvidos, nos aproximamos claramente de uma nova época de tempos interessantes. Depois das décadas (da promessa) de Estado do bem-estar social em que os cortes financeiros se limitavam a breves períodos e se apoiavam na promessa de que tudo logo voltaria ao normal, entramos num novo período em que a crise - ou, melhor, um tipo de estado de emergência econômica -, com a necessidade de todos os tipos de medidas de austeridade (corte de benefícios, redução dos serviços gratuitos de saúde e educação, empregos cada vez mais temporários, etc.), é permanente e se transforma em constante, tornando-se simplesmente um modo de viver. Além disso, hoje as crises ocorrem em ambos os extremos da vida econômica e não no núcleo do processo produtivo: ecologia (externalidade natural) e pura especulação financeira. Por isso é importantíssimo evitar a solução simples do senso comum: "Temos de nos livrar dos especuladores, pôr ordem nisto aqui, e a verdadeira produção continuará"; a lição do capitalismo é que, aqui, as especulações "irreais" são o real; se as esmagamos, a realidade da produção sofre.

    Essas mudanças não podem deixar de abalar a confortável posição subjetiva dos intelectuais radicais. No tratamento psicanalítico, aprendemos a esclarecer nossos desejos: quero mesmo essa coisa que quero? Vejamos o famoso caso do marido envolvido numa apaixonada relação extraconjugal que sonha o tempo todo com o momento em que a esposa desaparecerá (morrerá, se divorciará dele ou o que for) para então viver por inteiro com a amante; quando isso finalmente acontece, todo o seu mundo desmorona, ele descobre que também não quer a amante. Como diz o velho ditado, há coisa pior do que não conseguir o que se quer: realmente conseguir. Agora os acadêmicos esquerdistas se aproximam de um desses momentos de verdade: queriam mudanças reais? Pois tomem! Em 1937, George Orwell, em O Caminho Para Wigan Pier, caracterizou com perfeição essa atitude ao ressaltar "o fato importante de que toda opinião revolucionária tira parte da sua força da convicção secreta de que nada pode ser mudado": os radicais invocam a necessidade de mudança revolucionária como um tipo de sinal supersticioso que levará a seu oposto, impedir que a mudança realmente ocorra. Quando acontece, a revolução tem de ocorrer a uma distância segura: Cuba, Nicarágua, Venezuela... De modo que, embora meu coração se anime ao pensar nos eventos distantes, eu possa continuar promovendo minha carreira acadêmica.
    Essa nova situação não exige, de modo algum, que abandonemos o trabalho intelectual paciente sem nenhum "uso prático" imediato: hoje, mais do que nunca, é preciso não esquecer que o comunismo começa com o que Kant chamou de "uso público da razão", com o pensamento, com a universalidade igualitária do pensamento. Quando diz que, do ponto de vista cristão, "não há homens nem mulheres, não há judeus nem gregos", Paulo afirma que raízes étnicas, identidade nacional, etc., não são uma categoria da verdade; para usar termos kantianos exatos, quando refletimos sobre nossas raízes étnicas praticamos o uso privado da razão, restrito por pressupostos dogmáticos contingentes, isto é, agimos como indivíduos "imaturos", não como seres humanos livres que se concentram na dimensão da universalidade da razão. Para Kant, o espaço público da "sociedade civil mundial" designa o paradoxo da singularidade universal, de um sujeito singular que, num tipo de curto-circuito e contornando a mediação do particular, participa diretamente do universal. Nesse ponto de vista, o "privado" não é a matéria-prima de nossa individualidade oposta aos laços comunitários, mas a própria ordem institucional-comunitária de nossa identificação particular.
    A luta, portanto, deveria se concentrar nos aspectos que constituem uma ameaça ao espaço público transnacional. Parte desse impulso global rumo à privatização do "intelecto global" é a tendência recente de organizar o ciberespaço rumo à chamada "computação em nuvem". Há uma década, o computador era uma caixa grande em cima da mesa, e a transferência de arquivos se fazia com discos flexíveis e pen drives; hoje, não precisamos mais de computadores individuais potentes, já que a computação em nuvem se baseia na internet, isto é, os programas e as informações são fornecidos aos computadores ou celulares inteligentes sempre que necessário, disfarçados de ferramentas ou aplicativos baseados na internet que os usuários podem acessar e usar por meio de navegadores como se fossem programas instalados no computador. Dessa maneira, podemos ter acesso às informações onde quer que estejamos pelo mundo, em qualquer computador, e os celulares inteligentes põem esse acesso literalmente em nosso bolso. Já participamos da computação em nuvem quando realizamos buscas e obtemos milhões de resultados numa fração de segundo; o processo de busca é feito por milhares de computadores interligados que compartilham recursos na nuvem. Do mesmo modo, o Google Books torna disponíveis milhões de livros digitalizados, a qualquer momento, em qualquer lugar do mundo. Sem falar do novo nível de socialização criado pelos celulares inteligentes que combinam telefone e computador: hoje, um celular desses tem um processador mais potente do que um computador-caixona de dois anos atrás e ainda está ligado à internet, de modo que, além de ter acesso a um volume imenso de dados e programas, também posso trocar instantaneamente mensagens de voz e videoclipes, coordenar decisões coletivas, etc.
    No entanto, esse novo mundo maravilhoso é apenas um lado da história, que lembra aquelas famosas piadas de médico sobre "primeiro a notícia boa, depois a má". Os usuários, portanto, acessam programas e arquivos guardados bem longe, em salas climatizadas com milhares de computadores - ou, para citar um texto de propaganda da computação em nuvem: "Os detalhes são subtraídos aos consumidores, que não têm mais necessidade de conhecer nem controlar a infraestrutura da tecnologia "na nuvem" que lhes dá suporte". Aqui, duas palavras são reveladoras: subtração e controle; para gerenciar a nuvem, é preciso que haja um sistema de monitoração que controle seu funcionamento, e, por definição, esse sistema está escondido do usuário. O paradoxo, portanto, é que, quanto mais personalizado, fácil de usar, "transparente" no seu funcionamento for o pequeno item (celular inteligente ou portátil minúsculo) que tenho na mão, mais toda a configuração tem de se basear no trabalho feito em outro lugar, num vasto circuito de máquinas que coordenam a experiência do usuário; quanto mais essa experiência é não alienada, mais é regulada e controlada por uma rede alienada.
    É claro que isso serve para qualquer tecnologia complexa: o usuário não faz ideia de como funciona o televisor com controle remoto; no entanto, aqui o degrau a mais é que não apenas a tecnologia como também a escolha e a acessibilidade do conteúdo são controladas. Ou seja, a formação de "nuvens" é acompanhada pelo processo de integração vertical: uma única empresa ou corporação possui cada vez mais todos os níveis do cibermundo, desde o hardware individual (computador, celulares...) e o hardware da "nuvem" (armazenamento dos programas e dados acessíveis) até o software em todas as suas dimensões (programas, material em áudio e vídeo, etc.). Tudo, portanto, é acessível, mas mediado por uma empresa que possui tudo, software e hardware, dados e computadores. Além de vender Iphones e Ipads, a Apple também é dona do Itunes, onde os usuários compram músicas, filmes e jogos. Recentemente, a Apple também fez um acordo com Rupert Murdoch para que as notícias da nuvem venham dos meios de comunicação dele. Sucintamente falando, Steve Jobs não é melhor do que Bill Gates: em ambos os casos, o acesso global se baseia cada vez mais na privatização quase monopolista da nuvem que oferece o acesso. Quanto mais o usuário individual tem acesso ao espaço público universal, mais esse espaço é privatizado.
    Os apologistas apresentam a computação em nuvem como o próximo passo lógico da "evolução natural" do ciberespaço, e embora, de maneira abstrato-tecnológica, isso seja verdadeiro, não há nada "natural" na privatização progressiva do ciberespaço global. Não há nada "natural" no fato de que duas ou três empresas, em posição quase monopolista, além de determinar os preços à vontade possam também filtrar os programas que fornecem, dando a essa "universalidade" nuances específicas que dependem de interesses comerciais e ideológicos. É verdade que a computação em nuvem oferece aos usuários uma riqueza de opções nunca vista; mas essa liberdade de escolha não é mantida pela escolha de um provedor com o qual temos cada vez menos liberdade? Os partidários da abertura gostam de criticar a China pela tentativa de controlar o acesso à internet; mas todos nós não estamos ficando como a China, sendo as nossas funções na "nuvem" semelhantes, de certo modo, ao Estado chinês?

    SLAVOJ ZIZEK É FILÓSOFO, PSICANALISTA E UM DOS DIRETORES DO CENTRO DE HUMANIDADES DA UNIVERSITY OF LONDON. ZIZEK VEM AO BRASIL NO DIA 21/05 PARA O SEMINÁRIO REVOLUÇÕES - UMA POLÍTICA DO SENSÍVEL, EM QUE LANÇARÁ OS LIVROS EM DEFESA DAS CAUSAS PERDIDAS E PRIMEIRO COMO TRAGÉDIA, DEPOIS COMO FARSA
    (AMBOS PELA BOITEMPO EDITORIAL

    segunda-feira, 9 de maio de 2011

    Evento Interessante - Online


    Atualizando o endereço na WEB para quem desejar assistir, no dia 12 de maio, um debate internacional sobre Cibercrime e Segurança Informática: http://www.ipbeja.pt/servicos/sti/Paginas/transevent2.aspx

    Os modelos de monitoramento eletrônico no Brasil e em Portugal serão objeto de debate e é de extrema importância para os estudantes de Processo Penal e Execução Penal.

    Agradeço a todos se divulgarem. Abaixo, segue a programação do evento ( o fuso é de duas horas):
    9:30 – 10:00 – Recepção e entrega de documentação
    Seminário sobre “Hacking e Disaster Recovery” 
    [Perspectiva da Engenharia Informática]
    Presidência da Mesa – João Paulo Trindade
    [Director do Departamento de Engenharia]
    [Instituto Politécnico de Beja]
    10:00 – 10:10 – “Considerações de Abertura
    General Manuel Monge
    10:10 – 10:35 – “Profissão: Hacker
    Rui Miguel Silva
    [Lab UbiNET – Segurança Informática e Cibercrime]
    [Instituto Politécnico de Beja]
    10:35 – 11:00 – “Laboratórios de Hacking: Virtualização de Sistemas 
    José Jasnau Caeiro 
    [Lab UbiNET – Segurança Informática e Cibercrime]
    [Instituto Politécnico de Beja]
    11:00 – 11:15 – Pausa para café
    11:15 – 11:40 – “Disaster Recovery versus Continuidade do Negócio
    José Pessoa Dinis 
    [Major do Exército – Centro de Dados da Defesa]
    11:40 – 12:05 – “Computação Forense e Disaster Recovery
    Nuno Casteleiro Góis 
    [Cap TM Eng do Exército – Academia Militar]
    12:05 – 12:35 – “Microsoft Digital Crimes Unit
    Sérgio Martins 
    [Microsoft]
    12:35 – 13:00 - Espaço de Debate com a Audiência
    13:00 – 14:30 - Almoço

    Seminário Internacional sobre “Vigilância e Privacidade”
    [Perspectiva do Direito Informático]
    Presidência da Mesa – Fernando Galindo 
    [Universidade de Saragoça, Espanha] 
    [Coord. da Rede LEFIS – Enquadramento Jurídico da Sociedade da Informação]
    14:30 – 15:00 – “As Estruturas Europeias sobre Vigilância e Privacidade 
    Ahti Saarenpää 
    [Instituto de Informática Jurídica da Universidade da Lapónia, Finlândia]
    15:00 – 15:20 – “A Vigilância Electrónica em Direito e Processo Penal Português 
    Ana Paula Pinto Lourenço 
    [Universidade Autónoma de Lisboa “Luís de Camões”] 
    [Instituto Superior Manuel Teixeira Gomes]
    15:20 – 15:40 – “A Vigilância Electrónica em Direito e Processo Penal Brasileiro 
    José Carlos de Araújo Almeida Filho
    [Universidade Federal Fluminense, Brasil] 
    [Presidente do Instituto Brasileiro de Direito Electrónico]
    15:40 – 16:00 – Pausa para café
    16:00 – 16:20 – “A Videovigilância em Portugal 
    Sónia Sousa Pereira 
    [Jurista na Comissão Nacional de Protecção de Dados]
    [As opiniões proferidas não vinculam a CNPD]
    16:20 – 16:40 – “A Proteção de Dados em Cloud Computing na União Europeia e em Portugal 
    Manuel David Masseno 
    [Lab UbiNET – Segurança Informática e Cibercrime] 
    [Instituto Politécnico de Beja]
    16:40 - 17:20 - Espaço de Debate com a Audiência
    17:20 - 17:30 – “Conclusões do Seminário
    Fernando Galindo
    17:30 – “Balanço e Encerramento do SimSIC 2011 
    Rui Miguel Silva 
    [Coordenador do Lab UbiNET – Segurança Informática e Cibercrime]

    quinta-feira, 5 de maio de 2011

    DON TAPSCOTT A inteligência está na rede

    ntrevista DON TAPSCOTT

    A inteligência está na rede

    Revista Veja, ed. 2212, de 13/04/2011, pp. 19/23 (páginas amarelas)

    O canadense Don Tapscott, 64 anos, fala em um ritmo pré-digital: lento, cadenciado, meticuloso. Nada nele trai que foi um rebelde nos anos 60, insurgindo-se contra a guerra no Vietnã e na opressão da mulher, ou que seja hoje um dos mais respeitados estudiosos do impacto da tecnologia nas empresas e nas sociedades. Autor e coautor de catorze livros, Tapscott participará no dia 3 de maio, em São Paulo, a convite do Grupo TV1, de um seminário sobre o futuro do marketing. A internet, diz ele, não muda o que aprendemos, mas o modo como aprendemos – e o impacto disso será tão intenso quanto a invenção dos tipos móveis da imprensa por Gutenberg. “Não vivemos na era da informação. Estamos na era da colaboração. A era da inteligência conectada”, explica. Na entrevista a seguir, Tapscott diz como vê as empresas e os governos da nova era.

    Há tecnologias que melhoram a vida humana, como a invenção do calendário, e outras que revolucionam a história humana, como a invenção da roda. A internet, o iPad, o Facebook, o Google são tecnologias que pertencem a que categoria?
    À das que revolucionam a história. O que está acontecendo no mundo de hoje é semelhante ao que se passou com a sociedade agrária depois da prensa móvel de Gutenberg. Antes, o conhecimento estava concentrado em oligopólios. A invenção de Gutenberg começou a democratizar o conhecimento, e as instituições do feudalismo entraram num processo de atrofia. A novidade afetou a Igreja Católica, as monarquias, os poderes coloniais e, com o passar do tempo, resultou nas revoluções na América Latina, nos Estados Unidos, na França. Resultou na democracia parlamentar, na reforma protestante, na criação das universidades, do próprio capitalismo. Martinho Lutero chamou a prensa móvel de “a mais alta graça de Deus”. Agora, mais uma vez, o gênio da tecnologia saiu da garrafa. Com a prensa móvel, ganhamos acesso à palavra escrita. Com a internet, cada um de nós pode ser seu próprio editor. A imprensa nos deu acesso ao conhecimento que já havia sido produzido e estava registrado. A internet nos dá acesso ao conhecimento contido no cérebro de outras pessoas em qualquer parte do mundo. Isso é uma revolução. E, tal como aconteceu no passado, está fazendo com que nossas instituições se tornem obsoletas. Os exemplos estão por toda parte. As instituições globais não conseguem resolver a crise da dívida na Europa. Os jornais estão entrando em declínio. As universidades estão perdendo o monopólio da educação superior. São instituições da era industrial, que estão finalmente chegando ao fim.

    Quais são, na sua visão, as principais características da sociedade pós-industrial?
    Na era industrial, tudo é feito para a massa. Criamos a produção de massa, a comunicação de massa, a educação de massa, a democracia de massa, a sociedade de massa. A característica central da sociedade industrial é que as coisas começam com um (aquele que tem o conhecimento) e chegam a muitos (aqueles que não têm conhecimento). No modelo da educação de massa, eu sou o professor, porque tenho o conhecimento, e os outros são os alunos, porque não têm o conhecimento. O fluxo é sempre no sentido de um para muitos. No sistema de saúde, eu sou o médico, porque tenho o conhecimento, e os outros são os pacientes, não apenas porque estão doentes, mas porque não têm o conhecimento. De novo, é de um para muitos. A democracia de massa funciona nos mesmos moldes. Os eleitores votam num dia, mas apenas um governa por alguns anos. Na sociedade pós-industrial, o conhecimento será transmitido não mais de um para muitos, mas de um para um ou de muitos para muitos. Será a era da inteligência em rede, num sistema de colaboração de massa.

    No melhor espírito capitalista, as pessoas cuidam de seus próprios interesses. Por que subitamente se entregariam à colaboração coletiva?
    Porque a internet está derrubando radicalmente o custo da colaboração e s era do interesse das pessoas colaborar umas com as outras. Por exemplo: a indústria chinesa de motocicletas é formada por centenas de pequenas empresas que cooperam entre si. Não há uma empresa central, uma sede, uma fábrica nos padrões tradicionais da era industrial. Os envolvidos se encontram em casas de chá ou conversam on-line. Cada um responde por uma parte do negócio. Um fabrica o sistema de ignição, outro faz os freios, um recolhe o dinheiro, outro opera o marketing do produto. Em pouco tempo, essa rede se tornou a maior indústria de motocicletas da China. No meu penúltimo livro, chamei esse sistema de wikinomia, a fusão de “wiki” com “economia”. É o princípio da Wikipédia aplicado à economia. A Wikipédia não tem dono, é feita por 1 milhão de pessoas, já é dez vezes maior que a Enciclopédia Britannica e é traduzida em 190 idiomas. Os estudos mostram que a Wikipédia é quase tão precisa quanto a Britannica. A wikinomia é a arte e a ciência da inovação colaborativa. Será a mudança mais profunda na estrutura das corporações em um século. Vai mudar o modo como inovamos, o modo como criamos bens e serviços. Como a internet reduz brutalmente o custo da colaboração, as pessoas podem se juntar e criar valor, sem o sistema tradicional de hierarquias.

    Qual é o setor da economia que melhor aplica os princípio da wikinomia?
    Há exemplos de empresas isoladas, não de setores inteiros. A Procter & Gamble, conglomerado de produtos de higiene e limpeza, está usando a colaboração em massa. Começou procurando uma molécula capaz de tirar mancha de vinho tinto da roupa. Em vez de buscar a resposta entre os 7 mil engenheiros químicos fora da empresa. Multiplicou a probabilidade de encontrar o que busca. Quem sabe um químico aposentado em São Paulo ou um químico recém-formado em Nova Délhi aparece com a resposta certa. Nesse caso, a P&G paga 300 mil dólares ao químico e fica com um novo produto.

    Qual é o setor mais atrasado na wikinomia?
    Sem dúvida, o setor financeiro. Os bancos funcionam na velha base da sociedade industrial. Pelo menos nos Estados Unidos, eles têm sido a própria negação dos cinco princípios centrais da nova economia, que são: colaboração, abertura, compartilhamento de propriedade intelectual interdependência e integridade. A crise financeira de 2008 é resultado da mais perfeita negação desses princípios.

    Na economia tradicional, há uma tensão permanente entre o estado e a iniciativa privada. Nawikinomia, qual é o papel do estado?
    Os governos, com as toneladas de informações que possuem, podem se transformar em plataformas para criação de valor. Recentemente, numa conversa com autoridades de Melbourne, a segunda maior cidade da Austrália, pedi um exemplo de dados arquivados pela polícia local. Eles citaram estatísticas sobre acidentes com bicicletas. Eu disse: “Ótimo. Então coloquem essas estatísticas na internet e aposto que, dentro de 24 horas, alguém vai aparecer com algum tipo de mapa interativo dos lugares mais perigosos. Em breve, as pessoas estarão evitando os locais mais perigosos e Melbourne estará salvando vidas sem gastar um tostão”. É um exemplo trivial de como os governos podem atuar como plataforma para criação de valor. Considerando que os governos têm milhares de categorias de dados quem poderiam divulgar, o potencial é enorme.

    Os governos têm tendência a esconder informação, e não a distribuí-la. Como mudar isso?
    A ideia de que a concentração de informação é sinônimo de poder faz parte do velho modelo industrial. Quando retemos conhecimento e informação, criamos poder sobre as pessoas. No novo modelo, criaremos poder por meio das pessoas. O caso da Goldcorp, empresa do setor de mineração, é exemplar. A companhia estava insegura sobre onde tentar explorar ouro e tomou uma atitude inédita: divulgou seus dados geológicos, que normalmente são o grande segredo desse setor, e ofereceu um prêmio a quem tivesse a melhor análise que indicasse onde fazer uma exploração. A empresa pagou 500 mil dólares em prêmio e encontrou 3,4 bilhões de dólares em ouro. O valor de mercado da Goldcorp pulou de 90 milhões para 10 bilhões de dólares.

    Na era da colaboração em massa, as pessoas serão mais influentes do que hoje, seja como cidadãos, eleitores ou consumidores?
    As revoluções no Oriente Médio são a prova de mudança dessa natureza. Até três meses atrás, todas as revoluções eram verticais. Havia um líder e uma vanguarda. Eles organizavam a revolução e, quando o velho regime caía, tomavam o poder. A mesma dinâmica pautava todas as revoluções, pouco importando seu arcabouço ideológico. Foi assim com George Washington, com Fidel Castro ou Mao Tsé-tung. Agora, como a internet reduz o custo da colaboração, as pessoas podem se unir da noite para o dia com uma força tão extraordinária a ponto de, no Egito, derrubar Hosni Mubarak. O Oriente Médio está fazendo wiki-revoluções. São revoluções que só acontecem de modo repentino e horizontal em decorrência das mídias sociais, principalmente o Facebook. Na Tunísia , havia franco-atiradores da polícia escondidos nos telhados para disparar contra os manifestantes nas ruas. Os jovens rebeldes tiravam foto, triangulavam a localização dos franco-atiradores e mandavam os dados para aliados nas unidades militares, que, em seguida, saíam às ruas ara desmobilizar os atiradores. As mídias sociais não servem só para localizar a namorada ou fazer comunidade de jardinagem. Elas salvam vidas. Isso não quer dizer que a tecnologia esteja instigando levantes populares pelo mundo. Apenas que mudou o modo como são feitos. Antigamente, a militância saía colando cartazes nos postes.

    Mas os regimes autoritários não censuram o fluxo de informação na internet, controlam a rede, podendo até tirá-la do ar?
    É verdade, mas os governos árabes que tentaram cortar a internet deram um tiro no próprio pé. Os ditadores queriam impedir que os jovens se articulassem, mas o efeito colateral foi que o pequeno comerciante não pôde fazer sua encomenda on-line, a mãe não recebeu o diagnóstico do filho doente, e assim por diante.

    Atualmente, em muitos países os jovens são maioria, vivem numa economia de desemprego altíssimo e têm acesso a uma tecnologia poderosa. É uma mistura explosiva, não?
    Sim. Estamos caminhando para um choque de gerações. Começou na Tunísia, com a revolução do desemprego. Os jovens correspondem a uma enorme parcela da população hoje, à exceção da Europa Ocidental e do Japão. Além de numerosos, eles são a geração mais bem instruída da história, e a tecnologia lhes permite saber o que está acontecendo, distribuir informação e organizar respostas coletivas. Os jovens de hoje cresceram ouvindo que se estudassem com dedicação e não se metessem em problemas teriam uma vida confortável na idade adulta. Mentimos para eles. Chegaram ao mercado de trabalho e não há emprego. Esses jovens esperavam muito mais do que a realidade está lhes oferecendo.

    A tecnologia digital conectada vai liberalizar também o regime chinês, que hoje é ditatorial?
    Para mim, é inquestionável que as restrições da China à liberdade de expressão causam danos à economia. A longo prazo, a Índia, por ser mais aberta e ter uma sociedade mais colaborativa, tem melhores chances que a China. A Foxconn é a maior fabricante de componentes eletrônicos do mundo, emprega 900 mil pessoas na China, mas é descrita como uma prisão de segurança mínima. Boa parte dos trabalhadores mora na própria fábrica. A taxa de suicídio é alarmante. Pesquise imagens da Foxconn no Google. Você verá que colocaram redes em torno do edifício para impedir que os trabalhadores se matem jogando-se da janela. A Foxconn, com seu regime militar de produção, pode ser ótima para a economia, mas seu benefício é limitado.
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    Cartão de Crédito

    CNJ - Dívidas judiciais poderão ser pagas com cartões
    A Corregedoria Nacional de Justiça começa a auxiliar os TRT's e os TJ's a implantar, nas salas de audiência, máquinas de cartão de débito e crédito. O projeto piloto será desenvolvido no TRT da 8ª região, que solicitou o apoio do CNJ na implantação das máquinas.
    O projeto, que permite a utilização dos meios eletrônicos de pagamento no Poder Judiciário, tem custo zero e abrevia em muitos meses o processo de execução, além de incentivar as conciliações durante as audiências. A ideia é fazer com que o devedor possa parcelar o valor devido durante uma audiência de conciliação, e garantir ao credor o recebimento desse valor, já que quem efetuará o pagamento é a administradora do cartão de crédito.
    A iniciativa será colocada em prática, em um primeiro momento, na JT mas, em breve, será estendido a todo o Judiciário, inclusive os JE's. Nesta primeira etapa, pelo menos mais cinco tribunais já demonstraram interesse no projeto: TRT de MG, TRT do RJ, TRT de AL, TRT de PE e TRT do PR. A CEF será parceira do Judiciário desde a implantação do projeto, e já há negociações para, em uma segunda etapa, incluir como parceiro também o BB.

    De acordo com o juiz auxiliar Marlos Augusto Melek, da Corregedoria Nacional de Justiça, que está a frente do projeto, o uso das máquinas aumenta as variáveis da operação, que é muito simples, e deve reduzir drasticamente o número de fraudes. O juiz pretende estender o projeto aos JE's e varas de Família. "É uma forma de o Judiciário se atualizar, abreviar os processos tornando-os mais baratos, diminuindo logística e complexidade, viabilizando execuções, e prevenindo recursos por outros incidentes processuais, além de prevenir, ainda, fraudes nos pagamentos", afirmou.

    E-book - Nova Geração

    A próxima geração de livros digitais


    Push Pop Press é o nome da plataforma de publicação de livros digitais criada pelo desenvolvedorMike Matas (ex-Apple) e apresentada como parte da “próxima geração de livros eletrônicos”.
    A plataforma trabalha com a ideia de transformar livros em software, no caso, aplicativo para iPad.
    O livro Our Choice: A Plan to Solve the Climate Crisis, de Al Gore, é um dos primeiros a ser publicado com a plataforma.
    O aspecto visual e tátil é bem explorado. Você pode ler os 19 capítulos do livro/aplicativo de forma não linear, arrastar ou maximizar as imagens. Em um mapa, o livro mostra a localização geográfica de diversas informações (localização de um país citado em um texto).
    O mais interessante são as animações e os infográficos, que intercalam os textos. Além de firulas na navegação, alguns são acompanhados de áudio para ajudar na compreensão (se você assoprar no microfone do iPad, alguns elementos na tela se mexem).
    A experiência ainda não é das melhores. Mesmo depois de baixar o aplicativo, você tem que esperar que cada capítulo carregue, o que demora um pouco.
    Num primeiro momento, as firulas na navegação podem parecer meio exageradas e superficiais, mas num livro educacional, como o Our Choice, prometem acrescentar um caráter mais lúdico à leitura.
    Na última edição do TED, Matas fez uma demonstração do livro/aplicativo.
    (em 0:35 no vídeo abaixo)

    Veja também: Livros se tornariam aplicativos e não ebooks

    Denival - Tornozeleira

    USO DE TORNOZELEIRA ELETRÔNICA. Do controle do corpo ao controle da alma; do controle da alma ao controle do corpo, da moral, do caráter, da dignidade e de todo resto. (da série assim caminha a humanidade)

    O próprio Estado pratica bullying ao fazer como que os presos em regime semi-aberto utilizem tornozeleiras eletrônicas em suas saídas. Não se trata de objetos pequenos e discretos, mas extremamente visíveis (propositadamente) de modo que inibe o usuário de sair em público para não ser vítima de preconceitos, discriminação ou de nova criminalização, porque sempre será visto como criminoso em potencial. Ou o fim da tornozeleira é fazer o controle de uma prisão domiciliar?
    A ressocialização, mito incrustado na doutrina penal, conquanto raramente admitido como projeto fracassado (se é que alguma vez na história fez parte de um verdadeiro projeto, senão de segregação e de separação de uns poucos – “pessoas de bens” – de outros tantos?), prevista como um dos fins da pena é ideia que se renova com modelos diferentes. Se a prisão acaba por entregar ao indivíduo o dever de “emenda”, em ambiente completamente promíscuo e desagregador, servindo de levante a revolta e estrangulamento definitivo do pouco que ainda possa restar no seu caráter, sendo por isso instrumento somente para justificar os nossos preconceitos e a também mística inefável de uma sociedade perfeita, dá-se ao condenado, agora, certa autonomia, desde que este não peça de outros aceitação.
    O objetivo da tornozeleira – para muitos forma mais digna de cumprimento da pena, conquanto não se pode esquecer que toda segregação de liberdade atinge a dignidade. O problema não se resolver porquanto em não restringir dignidade – é transformar o ser humano num animal rastreado, cujo fim é segui-lo passo a passo até o abatedouro, ou num veículo de carga vigiado por radar, com rota e horários previamente estabelecidos, e que, qualquer mudança de itinerário importara no acionamento de alerta e ordem de captura. Seja no imaginário do animal rastreado, seja na perspectiva do veículo com GPS – bens de posse de algum ser humano –, haverá sempre a certeza de que, numa questão de tempo, o monitorado será trancafiado novamente em virtude de algum deslize, fato que servirá para justificar a incapacidade ressocializadora do condenado.
    Não se trata de políticas ou doutrinas equivocadas, porém de ações certeiras para fins não propriamente declarados. Desde que o Estado assumiu o monopólio do poder punitivo tem enfrentado o dilema da sanção, não obstante seja claro a importância deste controle como forma não exatamente de apaziguamento de conflitos sociais, mas de retenção de muitas das demandas e insurgências em face da subjugação de uns pelos outros. Ao final, vale a força daqueles que definem as linhas políticas de comando.
    Nesta linha, Focault (Vigiar e Punir) ao levantar o histórico da pena de prisão, salienta que quando esta modalidade de punição passou a ser adotada como a pena por excelência, apenas houve uma mudança do modo de dominação sobre o outro. Abandonamos o suplício do corpo, com o descarte das penas corporais (morte, decapitação de membros) e sacrifícios físicos (açoites, apedrejamento e outros), para introduzir o suplício da alma. Esta transformação não se deu por piedade, mas pela necessidade da força de trabalho de corpos não mutilados, e que poderiam perfeitamente ser úteis (utilitarismo), sobretudo com organização e definição dos territórios nacionais. Estes ideários não coincidem com o advento do capitalismo e em plena vigor da revolução industrial, tudo isso a pouco mais de 2 séculos, mas decorrem deles.
    Encontramo-nos agora diante de um novo passo. A preservação dos corpos dos “indivíduos indesejáveis” ao atual modelo de produção já não seria necessária, principalmente porque constituem verdadeiros estorvos frente a um Estado que se propõe ser mínimo e não intervencionista. Porém, vimo-nos, atualmente, acossados pela consciência dos mandos humanistas que justificaram no passado a mudança de paradigma. Embora estes indivíduos sejam elementos descartáveis e sem valor diante deste modelo econômico globalizador, de enormes avanços tecnológicos, e que pouca (ou nenhuma) serventia reserva às pessoas desqualificadas, não se pode simplesmente destruí-las fisicamente, ainda que o abandono e a repulsa social sejam fatos escancarados.
    Diante desta nova realidade mantemos a alma sobre dominação, mas acrescemos o domínio da moral. Exigimos do indivíduo um padrão de conduta – e não precisa estar criminalizada – uniforme, desrespeitando o pluralismo e as opções pessoais. O indivíduo já não é punido pelo que faz, mas pelo que é, desde que a sua forma de ser não corresponda àquela engendrada por quem faz as escolhas.
    E se isso não bastar, o direito penal a cada dia é instrumento que se agiganta, servindo para separação que se perpétua desde sua concepção com ferramenta útil ao Estado. É a forma de dominação sem culpa, diante de um pacto social firmado por alguns que se disseram representante de todos e de todas as gerações (passadas e futuras), porque para todos os efeitos a responsabilidade pela na adaptação ao modelo social é exclusiva do infrator.
    Só que isto onera. O Estado mínimo não pode lançar mão de seus recursos com aqueles que não servem ao padrão de desenvolvimento econômico. É necessário controlar mais e mais eficazmente, conquanto com menor custo.
    O método de controle, pela tornozeleira, amplia a possibilidade deste controle. Tudo não passa da difusão de seu uso, tornando o sistema paulatinamente mais barato e, porquanto, mas factível ao sistema penal, sempre carente de recursos.
    Isso é apenas um passo de um projeto mais audacioso. Acostumamos fácil com a tecnologia (e seus avanços), e não nos importamos com os objetivos sublineares e seus efeitos, e logo-logo todos estaremos, com a maior naturalidade, introduzindo chips subcutâneos (estes sim, imperceptíveis), e por isso com a possibilidade de maior ampliação. Talvez caminhemos, num futuro não tão longínquo, para imposição de chips em todo ser humano nascido com vida, constando os dados de sua identificação. Este mesmo acervo mnemônico servira para registro das ocorrências policiais, dos desvios de conduta, do descumprimento dos preceitos morais.
    Eventuais antecedentes criminais e todo proceder contrário ao repertório de restrições, com os elementos subjetivos sobre o indivíduo (legítimo direito penal do autor) serão anotados mesmo a distância, bastando que as centrais de controle atualizem os dados que serão automaticamente registrados on line no chips do usuário, sem que sequer tome conhecimento desta atualização. Caso deseje sair de sua situação, devera dirigir-se a tais centrais para obter uma folha corrida (após pagar as devidas taxas, porque o modelo também tem que gerar lucratividade), ou, por senha (desde que se tenha assinatura mensal, com débito direto no cartão de crédito, ou no seu chip), acessar seu acervo na internet.
    Nos locais de acesso público, o indivíduo passará por leitores magnéticos e ópticos que farão o reconhecimento e o encaminhará, conforme sua classificação, como já se faz nas grandes propriedades rurais de criação de animais rastreados, para os espaços sociais que lhe são reservados.
    É este o futuro que nos aguarda. Uma incidência cada vez mais acentuada das regras punitivas e de controle social, com ganhos aos seus aos conglomerados internacionais que os confabularão e explorarão.
    Quem serão os controladores de todo este sistema e mecanismo? Os de sempre, com toda certeza.